domingo, 20 de janeiro de 2008

Riqueza Espanhola







Situada na Península Ibérica, parte integrante do Velho Continente e possuidora de uma grande riqueza cultural, a Espanha encanta e fascina. Com o domínio das navegações, tornou-se responsável pela colonização da maior parte do Continente Americano. Países com o México, Cuba, Honduras, Porto Rico, Guatemala, El Salvador, República Dominicana, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai são exemplos de colonização espanhola, difundindo assim o castelhano (idioma imposto pelo domínio do Reino de Castela). A Espanha também produziu grandes pintores, que com muita ousadia e talento são responsáveis por uma parte da riqueza cultural da humanidade. Pintores como Salvador Dalí, Miró, Picasso, Goya e Velazquez, são um bom exemplo desse acervo. Na cidade de Madri, se encontra um dos maiores muses de arte do mundo - O Museu do Prado. Foi nesse local que fui apresentado à genialidade de Velazquez e confesso ter sido conquistado pelo magnífico trabalho desse espanhol. Seu quadro intitulado "Meninas" é absurdamente fascinante. De grandes dimensões, e rico em detalhes, essa obra te absorve, enebria e sem perceber fiquei horas contemplando e tentando desvendar toda essa concentração de talento materializado em pinceladas de cores e formas. Somente uma outra obra despertou tantas sensações como essa tela de Velazquez - o teto da capela Sistina de Michelangelo. o Prado foi somente um pequeno momento maravilhoso de tantos outros que vivenciei nesse país e que relatarei em um próximo momento.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Fascínio das Grandes Civilizações


Desde muito jovem, a história das grandes civilizações me fascinaram. Cresci lendo sobre os fenícios, egípicios, mouros, romanos, persas, gregos, macedônios e espartanos. Para minha felicidade, Holywood sempre procurou retratar nas grandes telas a odisséia de grandes guerreiros como Ulisses, Marco Antônio, Alexandre, Ramsés e tantos outros heróis imortalizados pelos seus feitos. Comecei o ano relendo a biografia de Alexandre - O Grande, e confesso que cada vez que mergulho na história desse rei macedônio, mais me encanto com a figura do guerreiro e suas conquistas. Viajar no universo das glórias e feitos desse "Deus humanado"(denominação dada à Alexandre nos manuscristos de Calístenes), é constatar que o ser humano, quando direciona sua vida para a conquista de seus ideais, nada o impede. Alexandre foi um visionário, extremamente benevolente com os reinos que conquistou; sábio em suas decisões; diplomático em lidar com os líderes conquistados; humano com seus soldados; humilde para aprender sempre a cultura das regiões por onde passou e acima de tudo, extremamente apaixonado pela vida. O cinema recentemente retratou, de forma abrangente e épica, as conquistas, os amores, os conflitos desse grande rei. Tendo Colin Farrel no papel de Alexandre, Angelina Jolie como Olímpia (mãe de Alexandre), e Val Kilmer como o rei Felipe (pai de Alexandre), Oliver Stone soube trabalhar de forma inesquecível, um dos grandes momentos da história da humanidade. Ao visitar o Louvre em París no ano de 1999, saboreei um pouco da cultura macedônia e persa, com seus touros alados, seus deuses e tantas outras informações ali expostas, para o meu deleite (a foto acima registra esse momento). Continuo minha viagem literária à cultura macedônia, convidando a todos a conhecer melhor a história desse homem, que de forma precoce se tornou rei, perpetuado pelas cidades que fundou (todas chamadas de Alexandria) e eternizado pelos seus feitos na história da humanidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

GENIALIDADE ANTES QUE TARDIA

Navegando pela internet lí um artigo sobre a genialidade de Oscar Wide, escritor londino, que escandalizou aquela sociedade com sua vestimenta e seus pensamentos, totalmente desconectados com a época em que viveu. Tal artigo me remeteu ao seu mais famoso livro: O Retrato de Dorian Grey. Lembro de ter lido essa obra, a alguns anos atrás e o quanto me fascinou a fluência da leitura e sua narrativa. Wide questionava em plena revolução industrial londrina, o culto à estética e até onde o ser humano seria capaz de ir para conquistá-la. O visionismo desse escritor mostrou em sua obra o sacrifício que muitos de nós, nos dias atuais, através de academias de ginástica, clínicas de estética, aplicações de substâncias desenvolvidas em laboratórios, sempre com a promessa de rejuvenescimento, nos submetemos. Wide, em suas obras, também questionou e criticou o comportamento social, e vítima da própria sociedade, foi preso e condenado por amar e ser amado (Wide era homossexual). Mesmo atualmente, ainda estamos longe de conquistar o domínio de nossas escolhas sem que incomode um todo. Oscar Wide morreu em seu exílio, pobre, e totalmente dependente da boa vontade alheia. A história se repete nas figuras de Van Gogh, Gaugin, e tantos outros gênios da humanidade, onde a sociedade novamente toma a postura de inquisitora e ceifa esses personagens ilustres. Nada como o tempo, para retratar e se render à importância de figuras com Oscar Wide, mesmo que tardia.

sábado, 10 de novembro de 2007

EXPRESSO PARA A ÍNDIA











A alguns anos atrás, tive a oportunidade de visitar um país possuidor de uma cultura extraordinária. Confesso que ao desembarcar em Nova Déli-Índia o calor sufocante do mês de julho me fez lembrar de nosso país, porém com uma curiosidade que se transformou em um grande sufoco: 40 graus de temperatura 'as 23:00h. Em meu caminho para o hotel, fiquei encantado com a grande quantidade de familias reunidas nas várias praças da cidade, uma espécie de picnic coletivo, sem perceber que na verdade estavam fugindo do calor sufocante de seus lares. Na manhã seguinte foi onde realmente descobrí o quanto estava quente a ponto da pressão arterial de meu corpo baixar a níveis extremos. Estava realmente na Índia. Terra de Gandhi, do sagrado Rio Ganges, das especiarías cobiçadas pelo mundo inteiro desde as grandes navegações, o limite do mundo para o macedônio Alexandre - O Grande, um povo que cultua 30.000 Deuses, e tantas outras descobertas mais. Uma mistura de surpresa, medo, curiosidade e muito calor, tomaram conta de meus pensamentos, pois é uma experiência única interagir com um povo que tem sua origem anterior ao nascimento de Cristo (nossa referência de tempo cronológico).Com uma população local de 20 milhões de habitantes, Déli, uma cidade dividida em duas partes - a Nova e a Velha Déli - encontrei referências arquitetônicas de vários períodos da história, convivendo em total harmonia. Uma frota automotiva sucateada, se mistura com as bicicletas, camelos, dromedários, elefantes e é claro as famosas vacas indianas (cultuadas e respeitadas por todos), traçando um paralelo com o fator econômico de um país de muita riqueza e também muita miséria. Hábitos que para nós ocidentais são tão banais, para o indiano são inexistentes. O uso do papel higiênico, o sabonete, o xampoo, desodorante e outros produtos de higiene íntima, são desconhecidos pela maior parte da população indiana. São produtos muito caros, encontrados somente nos hotéis para estrangeiros (que particularmente considerei como verdadeiras ilhas de luxo rodeadas por muita miséria). Fica a pergunta no ar - como então é feita essa higiene? Bem, a água é o único elemento determinante para tal procedimeto, lava-se tudo a toda hora. Acostumei a ver em todos o sanitários que entrei, a famosa canequinha para a coleta da água (inclusive nos banheiros do aeroporto). Hábitos 'a parte, o povo indiano nos encanta com sua hospitalidade, com o sorriso sempre estampado no rosto, a humildade humana, rara aos ocidentais, a espiritualidade constante, as histórias de seus Deuses, e o total desprendimento ao materialismo. Visitei templos Indus, Mesquitas e muitos altares dedicados a seus deuses. Assim como a sagrada vaca - o macaco, o rato, a barata, o elefante, também possuem seus próprios templos. Mas para esse arquiteto, o mais belo templo que conhecí foi o Taj Mahal - templo dedicado ao amor de um rei 'a sua rainha. Encantador em suas paredes de mármore branco que refletem intensamente o sol, cegando-nos de tanta beleza. Levaria muitas páginas para descrever tantas descobertas desse país de contradições. Deixo ao pensamento dos leitores a continuidade dessa viagem. O Expresso para a Índia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

ERROS E ACERTOS = EQUILÍBRIO






Quando estou absorto em meus projetos, avalio muito a espectativa do cliente em relação ao resultado do mesmo. Normalmente essa espectativa está relacionada a transferência dos anseios, status, e principalmente 'a transformação do espaço físico intervido no espaço realmente almejado. Lidamos com mudanças internas, pois para se mudar o interno temos que começar pelo externo. Em se tratando de uma residência, normalmente detecto na entrevista com o contratante a intensa vontade de mudar, e em determinados casos ouço a palavra "evoluir", mas de que forma tratamos essa evolução. A psicologia da Arquitetura está na conquista do equilíbrio externo, motivando assim o equilíbrio interno do cliente. Tarefa árdua, pois é um mergulho no vazio, pois não existe uma fórmula ou mágica conhecida, capaz de entrar no pensamento da pessoa no qual você está atendendo. nada mais me resta senão trabalhar com a estatística do erro e acerto. Um primeiro tiro, normalmento no escuro, baseado na análise superficial e materializada em uma folha de papel tamanho A3. Quando apresento minha primeira idéia, mantenho meu foco na reação de meu cliente, pois a linguagem corporal não mente. O olhar, o sorriso, o balançar das pernas, a coceira na cabeça são sinalizações do resultado que está sendo avaliado. Nisso a transferência de espectativas se confirma. A espectativa do acerto, ou meio acerto, ou total erro me consome até o momento das primeiras palavras ou melhor dizendo, do primeiro diagnóstico de meu pensamento, representado ali graficamente. Ufa, depois disso, tudo se torna mais fácil (porém, não tão fácil), pois surge uma diretriz, um caminho de pensamentos, para dessa forma enfim, identificar o que realmente se almeja no projeto. A partir desse momento, criador e criatura começam a caminhar juntos, novamente num jogo de erros e acertos, na busca do equilíbrio. Com o passar dos anos de profissão, comecei a me sentir confortável com essa situação, porém sem nunca descartar a famosa linguagem corporal. Na busca do equilíbrio, me torno o divã do terapeuta, ou melhor, o caderno de anotações do mesmo, absorvendo todas as nuances do paciente para então esboçar graficamente os anseios, e tantos outros sentimentos que ali se escondem. Quem se habilita?

REGISTROS PELAS LENTES DO MEU CELULAR

Imagens: Denis Sarges e Rafael Souza